A Fonte Antes da Consciência - Para Além do 'Eu Sou'
O Último Reconhecimento
Saudações, Amados Fratres e Sorores da Conscendo,
Quanto mais nos aprofundamos em nossa própria essência, mais a complexidade se desfaz. A jornada culmina não em uma sofisticação maior, mas em uma simplicidade absoluta. Chega um ponto em que todas as palavras se tornam redundantes, e o que resta é o silêncio vibrante que tudo permeia — a energia indiferenciada que somos em nossa raiz mais primordial.
Este texto visa elucidar os conceitos de Consciência e do Eu Sou, termos que, não sem razão, podem induzir à confusão. Sua etimologia carrega a ideia de alguém consciente de algo, o que facilmente leva à identificação pessoal com tais noções. É um equívoco comum: transformar a Consciência em identidade, reivindicar a posse do que é, na verdade, um processo impessoal. Mas a Fonte é una e impessoal; reduzi-la a identidade é distorcê-la.
Uma das últimas e mais sutis barreiras a ser transcendida é justamente a identificação com a “Consciência” ou com o “Observador”. Muitos se julgam despertos ao reconhecerem o observador. Mas a pergunta essencial permanece: quem está ciente do observador? Essa indagação dissolve todas as certezas, pois se você pode estar ciente de si mesmo como observador, há claramente algo além do observador que sustenta essa percepção.
O verdadeiro despertar não é encontrar a identidade correta, nem mesmo a identidade de testemunha. É o reconhecimento de que toda identidade é apenas movimento dentro daquilo que você realmente é. Aquele que teme perder a identidade de “observador” é apenas mais uma aparência — mais uma onda tentando convencer-se de que é separada do oceano.
Como lembrete, já dissemos em textos anteriores:
“A expressão Eu Sou, embora aparentemente simples, carrega consigo uma profundidade imensa. Não se trata de uma afirmação do ego, mas sim do reconhecimento da presença pura, da consciência primordial que habita cada um de nós. É o eco da própria Fonte, a manifestação individualizada da Consciência Universal. Ao pronunciarmos Eu Sou, não estamos nos referindo ao corpo, aos pensamentos ou às emoções, mas sim à testemunha silenciosa que observa tudo isso. É a percepção da nossa essência imutável, que transcende as mudanças do tempo e do espaço. A experiência do Eu Sou é um chamado para nos aprofundarmos em nosso interior, despojando-nos de todas as nossas identificações e rótulos. É o encontro com a nossa verdadeira natureza divina, a constatação de que somos parte integrante da Consciência que penetra todo o universo. É o despertar para a unidade, a dissolução da ilusão da separação, e a compreensão profunda de que somos, em essência, a própria Consciência que busca se reconhecer através de cada experiência de vida.”
Este é um passo monumental, crucial e verdadeiro. É a realização da Não-Dualidade. Contudo, para o propósito último deste texto, é necessário dar um passo além — ou, mais precisamente, um passo antes.
Já afirmamos que somos o ator, o espectador e a peça — o trio uníssono da manifestação. Porém, até essa trindade experiencial, por mais unificada que seja, ainda é manifestação. Ainda é jogo de luz e sombra dentro da Consciência.
Se a testemunha é apenas mais uma aparência, se o observador é apenas mais um objeto na Consciência, o que dizer da identidade mais sagrada de todas? O próprio Eu Sou.
A verdade final a ser relembrada (pois nunca foi perdida) é que nossa essência não é nem mesmo “a Consciência que observa”. “Observador” e “observado” surgem juntos, em dependência mútua. Nossa natureza última é anterior a essa polaridade. É o espaço não-manifesto que permite que tanto o observador quanto o observado existam. É o repouso absoluto que é a fonte de toda atividade.
Não somos um “nada” vazio, mas a Plenitude do Vazio — o Nada Absoluto que, paradoxalmente, tudo contém em pura potencialidade. É a tela perfeitamente branca, imutável e indestrutível, sobre a qual todos os filmes da existência são projetados e da qual são feitos, mas que nunca é tocada ou alterada por nenhum deles.
Esse estado não é algo a ser alcançado. É a nossa Condição Eterna. É o “sono sem sonhos” que subjaz até mesmo ao mais vívido dos sonhos de vigília. É o que você já é, antes de qualquer pensamento, sensação ou percepção de “ser alguém” ou “ser consciente”.
A imortalidade não é a perpetuação do eu sou, mas a libertação dele. Não é desaparecer, mas descobrir um estado infinitamente mais real, consciente e pleno do que qualquer identidade poderia conceber. É libertar-se não apenas do ego ou das máscaras pessoais, mas da própria sensação fundamental de existir.
O medo de perder a identidade, de deixar de existir como um eu distinto e se diluir numa energia indistinta e impessoal como a Fonte, é uma constante entre buscadores do despertar. Mas trata-se de um receio infundado: não é aniquilação, é auto-reconhecimento. É olhar no espelho e ver refletida a verdadeira essência, é recordar quem sempre fomos. E esse recordar revela um estado infinitamente mais real, consciente e pleno do que qualquer identidade poderia imaginar.
A mente se confunde diante desse ensinamento, como uma onda tentando compreender o oceano. A onda pode conhecer outras ondas, experimentar a superfície, até reconhecer sua essência úmida. Mas conhecer as profundezas só é possível quando se dissolve, não no nada, mas naquilo que sempre foi.
A “Fonte” não é um ponto de origem no tempo, mas a Presença Eterna que não vem nem vai. Qualquer nome que lhe dermos — “Consciência”, “Deus”, “Fonte”, “Absoluto” — é apenas tentativa de apontar, nunca de conter.
Portanto, este texto não busca oferecer um novo conceito para ser abraçado, mas dissolver o último conceito. O chamado final não é repousar apenas no Eu Sou, mas no silêncio anterior à primeira palavra, na paz que antecede a distinção entre paz e turbulência, no Ser que precede até mesmo a pergunta “Quem sou eu?”.
Este é o despertar autêntico: não para algo, mas a partir de nada.
Na Eternidade do que Nunca Nasceu,
Com Sinceros Votos de Despertar,
Conscendo Sodalitas
Introdução à Conscendo
Quem Somos
Nós?
Para Além do 'Eu Sou'
O Último
Reconhecimento
O Teatro Imóvel
Quando o Observador é
a Única Realidade
El Reconocimiento en la Unidad Plena
O Reconhecimento na Unidade Plena
A Neutralidade da Fonte
A Ilusão do Bem
e do Mal
A Igualdade das Máscaras da
Fonte
A Santidade de Todas as Expressões
Os Laços do Coração
Espelhos do
Eu Sou
O Jogo da Existência
O Caminho
do Meio
A Reencarnação
A Dissolução de um
Conceito Temporal
A Intuição, A Mestra das
Mestras
A Ilusão da Expansão
Ode ao Meu Planeta
O Jardim do
Meu Despertar
Além do Vazio
A Consciência
Primordial
Meu Espelho
Mensagem de Você
para Você
Quem Realmente Age?
A Ilusão do
Livre-Arbítrio
A Verdadeira Morada
no Eterno Agora
A Única Realidade
Despertando o Mestre Interior
A Jornada da
Autossuficiência Consciente
A Jornada do Menino
à Consciência
Quem Realmente Somos
Rompendo as Camadas da Matrix
O Despertar da Consciência
Acima das Tormentas
Mentais
Transcendendo Toda Ilusão
A Chave
Reconhecendo o Que
Sempre Foi
O Silêncio da Mente
A Conexão Com
Nosso Eu
O Perigo das Miragens
Esperança e
Ilusão
A Armadilha Dourada
da Ingenuidade
O Hopium
Karma: O Jogo que Levamos
a Sério Demais
A Ilusão do Karma
Os Voluntários
Lendas dos Humanos do
Século XXI
Realidade Atual
Nenhuma Sociedade quer que Sejas Livre
Escapando da Armadilha
Escapando da Armadilha da Reencarnação - por Alex Collier