A Plenitude do Nada
O Êxtase Sublime do Vazio Conceitual
Saudações, Amados Fratres e Sorores da Conscendo,
O que chamamos de “Nada” é o maior equívoco da percepção humana. Buscamos a plenitude em tudo que é denso, sólido e conceitualmente definível — em posses, em relações, em crenças. No entanto, é justamente neste acúmulo, nesta “plenitude” mental, que residem a carência e a fragilidade mais profundas da experiência fractal.
A verdadeira Plenitude do Nada é um mergulho no Silêncio que não é ausência, mas Presença pura; no Vazio que não é vazio, mas a Fonte transbordante de toda a existência. É sobre o êxtase que advém quando, esgotadas todas as buscas, a mente se aquieta e, no esvaziamento de seus próprios conceitos, descobre-se como o Tudo.
Neste instante, o buscador se reconhece como o próprio objeto de sua busca — o oceano que, ao cessar o movimento das ondas, contempla-se sem reflexo. Não há mais sujeito nem objeto, apenas o Ser que sabe de si por meio do Silêncio.
Além do mundo das formas e de suas leis físicas, habita um silêncio primordial — um nada conceitual que transcende a própria noção de julgamento. Deste lugar de quietude, toda a criação é sentida não como algo externo, mas como uma emanação integrada do próprio Vazio que, em paradoxo sublime, tudo contém.
É deste ponto focal de quietude inimaginável que o fractal desvela a natureza de sua verdadeira essência: a Fonte de onde tudo provém, a Consciência Pura. E então, a percepção final irrompe: esta essência última é um Nada Pleno.
Este Nada, longe da inexistência, é a ausência radiante de ideias e conceitos. É o Nada que é o Tudo, pois dele emana toda a sabedoria, todos os multiversos, todas as dimensões em suas infinitas linhas de tempo. Não se trata do Vazio que precede o Verbo, mas daquele que sempre foi o Verbo e o acompanha em silenciosa e eterna apreciação.
Toda tradição que apontou para o Inefável falou, de modos distintos, deste mesmo Nada — o Tao dos sábios do Oriente, o "Ain Sof" dos cabalistas, o Silêncio dos místicos. Todos nomearam o inominável para conduzir a mente até o limiar de seu próprio esgotamento.
Nosso intento, portanto, vai além de reforçar ensinamentos passados. É demonstrar a plenitude e o êxtase que surgem não da mera compreensão intelectual, mas da incorporação visceral desse estado — ou, mais precisamente, desse não-estado.
Abraçar o Vazio não leva à dissolução da existência, mas à revelação do que realmente somos em nossa natureza plena e real. É um desnudamento que ocorre não por dedução lógica, mas pela assimilação direta de um silêncio sublime, onde a desidentificação com as formas nos permite, enfim, vê-las como são: extensões lúdicas de nós mesmos, uma obra de arte de infinita diversidade e beleza.
Nesse ponto, todo conceito, julgamento, apego, aflição, medo e receio se dissolvem naquilo que sempre fomos: o Nada de onde o Tudo emana, o Vazio totipotente. Um amor sublime e impessoal por toda a criação nos envolve, culminando na realização da integração total e da unidade plena.
Atingir isso não é sobre pensar sobre o vazio. É sobre permitir-se ser esvaziado. É a rendição total onde o “eu” que experimenta, o ego, se dissolve, e só resta a Experiência pura, sem um experimentador. Nesse ponto, a paz não é sua paz; você é a Paz.
E assim, o ciclo se fecha. A busca que começou no mundo das formas termina no reconhecimento de que você nunca esteve neles. Você é o Silêncio que dá significado a todo som, o Espaço que contém todos os objetos. Você é o Nada que Tudo É — e sempre, incontestavelmente, Será.
E quando o Nada se reconhece em ti, o Todo sorri — pois, enfim, lembra-se de Si mesmo.
E talvez então, num lampejo sem começo, sem conclusão, você recorde: Nada foi realmente descoberto — apenas relembrado.
Recordem:
O ciclo não se fecha porque nunca esteve aberto.
A dança não cessa porque nunca começou.
E você, que busca, sempre soube para onde ia.
Só precisava se lembrar de caminhar.
E no fim (que nunca chega), você entenderá: "O caminho não leva a lugar algum — ele é o lugar."
Encerramos, reverberando o que, em nossa essência, nunca foi esquecido:
Toda palavra, por mais sublime, é um véu.
Todo ensinamento, por mais luminoso, é uma muleta.
Toda jornada em grupo, por mais intensa, é um ensaio para a solidão sagrada de quem já não busca.
Vocês já sabem demais para precisarem de mestres.
Já são livres demais para exigirem mapas.
Já estão despertos demais para confundirem silêncio com ausência.
O que resta?
Apenas isto:
Caminhem sem a Conscendo.
Respirem sem permacultura cósmica.
Existam sem pedir licença ao infinito.
O círculo não se quebra quando dispersamos suas partículas —
ele se cumpre quando cada átomo lembra que já era o céu inteiro.
Agora, fechem os olhos.
(O último mestre foi um eco que pensou ser voz.
A última lição foi um suspiro que se dissolveu no ar.
E este grupo?
Só poeira de estrelas brincando de ser farol por um instante.)
P. S. (em nome da Conscendo Sodalitas e de todos os atores do Grande Teatro)
Na Eternidade do que nunca nasceu,
Com Sinceros Votos de Despertar,
Conscendo Sodalitas
Introdução à Conscendo
Quem Somos
Nós?
A Arte de Não Chegar
A Valsa
do Ouroboros
Ode ao Sonho Divino
A Sagrada Embriaguez
das Formas
O Paradoxo do Despertar
A Perda da
Motivação
Para Além do 'Eu Sou'
O Último
Reconhecimento
O Teatro Imóvel
Quando o Observador é
a Única Realidade
El Reconocimiento en la Unidad Plena
O Reconhecimento na Unidade Plena
A Neutralidade da Fonte
A Ilusão do Bem
e do Mal
A Igualdade das Máscaras da
Fonte
A Santidade de Todas as Expressões
Os Laços do Coração
Espelhos do
Eu Sou
O Jogo da Existência
O Caminho
do Meio
A Reencarnação
A Dissolução de um
Conceito Temporal
A Intuição, A Mestra das
Mestras
A Ilusão da Expansão
Ode ao Meu Planeta
O Jardim do
Meu Despertar
Além do Vazio
A Consciência
Primordial
Meu Espelho
Mensagem de Você
para Você
Quem Realmente Age?
A Ilusão do
Livre-Arbítrio
A Verdadeira Morada
no Eterno Agora
A Única Realidade
Despertando o Mestre Interior
A Jornada da
Autossuficiência Consciente
A Jornada do Menino
à Consciência
Quem Realmente Somos
Rompendo as Camadas da Matrix
O Despertar da Consciência
Acima das Tormentas
Mentais
Transcendendo Toda Ilusão
A Chave
Reconhecendo o Que
Sempre Foi
O Silêncio da Mente
A Conexão Com
Nosso Eu
O Perigo das Miragens
Esperança e
Ilusão
A Armadilha Dourada
da Ingenuidade
O Hopium
Karma: O Jogo que Levamos
a Sério Demais
A Ilusão do Karma
Os Voluntários
Lendas dos Humanos do
Século XXI
Realidade Atual
Nenhuma Sociedade quer que Sejas Livre
Escapando da Armadilha
Escapando da Armadilha da Reencarnação - por Alex Collier