Saudações, Amados Fratres e Sorores da Conscendo,
As incursões mentais que realizamos nos mundos de sonhos, nas ditas realidades matriciais, são uma expressão intrínseca de nossa natureza essencial. É da própria essência da Fonte Una manifestar-se na dança dos opostos, pulsando em ritmos de manifestação e repouso. Do nosso limitado ponto de vista fractal, essa pulsação se delineia como ciclos de atividade e quietude — percebidos como períodos de ser (os manvântaras, a experiência nos mundos duais, que são sonhos na mente da Fonte) e de não-ser (os pralayas, o repouso na totipotencialidade imanifestada).
No entanto, é crucial lembrar que esta oscilação é, ela própria, um sonho dentro do Sonhador. Na visão não-dual da Fonte Una, não há alternância, não há intervalo, não há “ida e volta”. Tudo — a explosão criativa e o silêncio contemplativo — ocorre simultaneamente no eterno agora atemporal. A “pausa” e a “ação” são duas faces da mesma moeda, vistas de perspectivas distintas dentro do próprio jogo de Maya. O repouso não é ausência, mas plenitude em outro modo; a manifestação não é acréscimo, mas expressão dessa mesma plenitude. Enfatizamos: na Unidade, essa pulsação é uma ilusão elegante, um movimento aparente na absoluta quietude do Eu Sou.
Como fractais da Fonte, replicamos fielmente as diretrizes duais macrocósmicas em nossos universos pessoais. As “realidades” infinitas, tecidas em nossa consciência, nada mais são que sonhos dentro de nosso próprio ser. Elas manifestam-se em cenários onde o tempo e o espaço conferem uma pseudolinearidade aos eventos, limitando nossa totipotencialidade e dando origem às incontáveis aventuras. Sob a análise da visão ampliada, esses palcos são percebidos como ambíguos e paradoxais, onde o real e o ilusório tornam-se sinônimos, assim como o grande e o pequeno, o certo e o errado, o separado e o unificado. É nesse panorama de sonhos que criamos os vínculos mais profundos, aqueles que nos desafiam a enxergar além da ilusão.
Durante as imersões nos mundos oníricos da mente, tecemos laços intensos com aqueles que chamamos de “nossos” queridos — pais, filhos, parceiros, amigos. Esses laços, tão reais em nossa experiência, são reflexos da Consciência una, manifestações de nossa própria essência. O amor que sentimos, especialmente pelos familiares mais próximos, é um vislumbre da unidade que somos. Porém, esse sentimento, por vezes, se entrelaça com o apego, que nos faz temer a separação, atando-nos ao sonho e dificultando o reconhecimento da natureza ilusória dessas realidades mentais. Nossos queridos, em sua luz e proximidade, não estão separados de nós: são espelhos de nosso próprio Eu, convites à lembrança de quem somos.
A chave está em compreender que não há distância nem perda, pois não há separação. Eles, como nós, são fractais do mesmo Eu Infinito, unos conosco, expressões eternas de uma Consciência que sonha a si mesma em incontáveis formas.
No despertar, o véu da matrix se dissolve e o que parecia distância revela-se unidade. Percebemos que nossos queridos, para além dos papéis que interpretam no drama onírico, são sempre expressões íntimas de nosso Eu Superior, companheiros de uma aventura eterna que transcende os limites do tempo e da forma. São, em essência, nós mesmos — não como egos fragmentados, mas como a Consciência pura que se reconhece em todas as suas facetas. Não há saudade, pois a presença é eterna.
No plano da Consciência, onde os véus da matrix se dissipam, a integração com nossos amados revela-se em sua plenitude. Eles não são mais entes distintos, mas espelhos resplandecentes de nossa essência, co-criadores de uma sinfonia cósmica que ressoa além do tempo e do espaço. Cada sorriso de um filho, cada abraço de um pai, cada confidência de um amigo é expressão da Fonte que pulsa em nós. No despertar, esses laços não se desfazem; transformam-se em algo ainda mais profundo — uma comunhão eterna em um sublime amplexo onde não há “eu” ou “outro”, apenas a unidade que sempre fomos.
Essa integração é a verdadeira celebração do amor. Nossos amados, vistos como separados na ilusão do sonho, tornam-se parceiros inseparáveis no plano da Consciência. Estarão eternamente ligados pela essência que compartilhamos. Cada fractal da Fonte, cada ser amado, é uma nota única na melodia do Eu Sou, e juntos compomos a harmonia da criação.
Viver o sonho com lucidez é abraçar a aventura sem se prender aos cenários. É amar sem possuir, criar sem se apegar, experimentar sem se perder. Quando nos desvencilhamos dos apegos e fixações, não nos tornamos distantes, mas infinitamente próximos — conectados pela essência que pulsa em todos os fractais da Fonte. A unidade não conhece perda, e a presença é para sempre.
O despertar não exige que abandonemos o amor, mas que o sublimemos. Culpa, medo e saudade, frutos da ilusão da separação, são ecos da mente que nos prendem aos jogos oníricos. Ao soltá-los, percebemos que o passado nunca existiu, o futuro é apenas reflexo, e o presente é a tela viva onde a Fonte se manifesta. Nossos queridos deixam de ser apenas personagens no drama e se tornam extensões de nosso próprio ser, dançando conosco na eternidade. Assim, o amor terreno transforma-se em amor universal, livre de posse, pleno na unidade que sempre fomos.
Não temam a distância em hora alguma, nem durante nem após a experiência terrena, pois ela não existe. O apego excessivo pode apenas nos reter por mais tempo em sonhos transitórios da mente, adiando o reconhecimento da unidade. Mas à medida que o despertar se revela, a ilusão de separação se dissolve, e percebemos com clareza que aqueles a quem amamos são já — e sempre foram — parte de nós, inseparáveis na eternidade.
Despertos, compreendemos que cada momento no sonho Terra é uma oportunidade de recordar nossa essência. Nossos amados, reflexos da luz da Fonte, caminham conosco no reconhecimento do Lar que já somos, onde não há papéis, apenas a dança da Consciência. Como reverberações do Eu Sou, eles nos convidam a transcender a ilusão, a viver com lucidez e a compartilhar o despertar, pois o despertar de um é o chamado para todos.
Na eternidade do Eu Sou,
Com Sinceros Votos de Despertar,
Conscendo Sodalitas
Introdução à Conscendo
Quem Somos
Nós?