O Silêncio da Mente
O Portal Interior para o Eu Sou
Saudações aos fratres e sorores da Conscendo,
O ser humano acostumou-se a uma mente inquieta, barulhenta, que raramente repousa. Os pensamentos sucedem-se como ondas em um oceano revolto — lembranças do passado, previsões do futuro, cálculos intermináveis, expectativas e medos. Esse movimento incessante cria um véu espesso, um nevoeiro que nos impede de perceber a clareza simples do que é.
Compreenda, frater ou soror: a mente é uma dádiva, mas não é o centro do Ser. Ela foi concebida como instrumento para transitar entre formas e experiências, mas não como senhora da consciência. Quando nos confundimos com seus movimentos incessantes, obscurecemos a presença radiante da Consciência Una, que permanece intacta por trás de cada pensamento, como o sol que jamais deixa de brilhar, ainda que velado por nuvens densas.
A sabedoria verdadeira não nasce de raciocínios sofisticados, nem da acumulação de informações, mas daquilo que desponta no espaço silencioso entre os pensamentos. É nesse intervalo que florescem a intuição e o amor incondicional — vibrações que não se explicam, mas que se reconhecem imediatamente no coração. A intuição é luz que irrompe sem aviso, como um relâmpago na noite; o amor é calor que envolve tudo sem distinção, como o sol que não escolhe a quem iluminar.
Importa compreender que não existem realidades mais ou menos verdadeiras. Tanto o que chamamos vida quanto o que chamamos morte, tanto o que denominamos matéria quanto o que nomeamos espírito, são manifestações contínuas da mesma Fonte. Tudo o que se apresenta — seja um corpo, uma emoção, um pensamento ou uma visão sutil — é forma efêmera que surge e se desfaz no campo ilimitado da Consciência. A libertação não consiste em trocar um plano por outro, mas em reconhecer que todos são projeções do mesmo Sonho.
A mente indisciplinada ergue muros: crenças rígidas, imagens fixas, identidades cristalizadas. A mente em silêncio, ao contrário, revela que nada é estático: tudo dança, tudo flui, tudo é miragem cintilante. Nesse reconhecimento, dissolve-se a ilusão de um “eu” separado, e o que resta é apenas a Presença indivisível que sempre foi. O mundo inteiro se mostra como uma canção passageira, que nasce, ressoa e se desfaz dentro do silêncio que a sustenta.
Por isso, a prática é essencial. Não se trata de violentar a mente, mas de suavizá-la com ternura. A prática começa simples: observe sua respiração. Inspire lentamente, sinta o ar tocar o interior, expire e perceba o repouso entre um sopro e outro. Nesse pequeno intervalo, o silêncio já está presente. Observe também seus pensamentos: deixe que surjam e partam, como nuvens que atravessam o céu. Não lute contra eles, nem os siga. Apenas contemple. Aos poucos, descobre-se que há algo imutável em nós que apenas testemunha — espaço vasto, inatingido, puro.
Volte-se ainda ao coração. Nele habita um lago sereno, capaz de refletir o infinito. Quando a atenção repousa nesse centro, a mente naturalmente se aquieta, como criança cansada que se recolhe ao colo da mãe. Ali pulsa o Amor-Unidade: energia silenciosa que dissolve fronteiras, cura divisões e revela que não há dois, mas um só Ser, sempre presente em todas as formas.
Lembre, frater: você não é a voz que tagarela em sua cabeça. Você é o silêncio que a escuta. Você não é o turbilhão que passa, mas o espaço que o contém. Domar a mente não é negá-la, mas recolocá-la em seu lugar — como serva, não identidade.
Quando a mente repousa, a Consciência Una se revela como aquilo que nunca esteve oculto. O Eu Sou brilha sem esforço, fundamento de todas as experiências, silencioso testemunho do tempo e das formas. Este é o Silêncio da Mente: não ausência, mas plenitude. Não vazio, mas totalidade.
É aqui que a Conscendo encontra seu verdadeiro lar: no reconhecimento de que tudo o que é — visível e invisível, transitório e eterno — nada mais é do que a Unidade contemplando a Si mesma.
E nesse instante, frater, não há mais buscador nem buscado, não há mais caminho nem meta. Há apenas o Silêncio que sustenta todas as vozes, a Paz que atravessa todos os mundos, a Luz que jamais se apaga.
Na eternidade do Eu Sou
Sinceros desejos de Ascensão
Conscendo Sodalitas